Imagem 1 de 2
Imagem 2 de 2
Desprocrastinador
Cada produto, app, serviço que você assina te promete menos atrito, resolve um problema, tira um empecilho, deixa algo mais rápido, mais fácil, automático.
É tão fácil continuar rolando o feed, não pensar, não parar quando tudo na vida é desenhado pra escorregar sem impulso.
Sem nenhuma força que a oponha a inércia segue.
O desprocrastinador é o oposto: pesado, áspero, inconveniente, torto.
Ao invés de um produto algoritimicamente desenvolvido precisamente para esconder qualquer resquício de trabalho humano, etéro, asséptico, perfeito.
O desprocrastinador foi construído a mão, como peça de arte, um processo ineficiente, sujo, demorado, dolorido e com autor.
Eu o fiz e as marcas das minhas mãos estão cravadas nele, cada falha, marca, quebra a inércia, tira do automático.
A forma segue a função.
Você liga o aparelho, aperta o botão, o botão é meio difícil de apertar, a porta abre raspando, você coloca o celular dentro do compartimento de concreto, ele fica meio torto lá dentro, gira o timer e não sabe ao certo quanto tempo você colocou, fecha a porta, tenta, a porta não fecha, bate com mais força, faz barulho, o cofre tranca, a luz na porta é vermelha, e agora?
E agora?
O desprocrastinador é feito pra esse momento, a quebra do transe, quem é você quando a luz vermelha te olha e você finalmente para, e a olha de volta?
Para proteger esse momento, o Desprocrastinador é feito de concreto com uma pesada porta de madeira, fechadura e dobradiças soldadas para que assim que a porta se fecha você precise esperar.
Porém se a urgência da tela for o suficiente pra você cogitar cerrar a dobradiça, arrombar a fechadura, ou quebrar a porta, o Desprocrastinador foi pensado com uma última ferramenta para cumprir sua função: o Preço.
O seu preço, mais do que uma representação do valor do trabalho empregado para traze-lo ao mundo, é uma parte essencial do seu funcionamento.
Junto de um certificado de autenticidade assinado por mim, o seu preço coloca o que seria um produto, que só tem valor de uso, na categoria de arte, que além do uso pode valer enquanto investimento, desde que seja conservada, mantida em sua forma.
Assim a barreira que você precisará atravessar para poder parar de olhar de volta a luz vermelha, passa a não ser mais a força da fechadura, mas sim qual a sua disposição de arruinar o preço que você gastou para finalmente sentir o atrito de olhar pra fora da tela.
Quão longe você iria para parar?
Cada produto, app, serviço que você assina te promete menos atrito, resolve um problema, tira um empecilho, deixa algo mais rápido, mais fácil, automático.
É tão fácil continuar rolando o feed, não pensar, não parar quando tudo na vida é desenhado pra escorregar sem impulso.
Sem nenhuma força que a oponha a inércia segue.
O desprocrastinador é o oposto: pesado, áspero, inconveniente, torto.
Ao invés de um produto algoritimicamente desenvolvido precisamente para esconder qualquer resquício de trabalho humano, etéro, asséptico, perfeito.
O desprocrastinador foi construído a mão, como peça de arte, um processo ineficiente, sujo, demorado, dolorido e com autor.
Eu o fiz e as marcas das minhas mãos estão cravadas nele, cada falha, marca, quebra a inércia, tira do automático.
A forma segue a função.
Você liga o aparelho, aperta o botão, o botão é meio difícil de apertar, a porta abre raspando, você coloca o celular dentro do compartimento de concreto, ele fica meio torto lá dentro, gira o timer e não sabe ao certo quanto tempo você colocou, fecha a porta, tenta, a porta não fecha, bate com mais força, faz barulho, o cofre tranca, a luz na porta é vermelha, e agora?
E agora?
O desprocrastinador é feito pra esse momento, a quebra do transe, quem é você quando a luz vermelha te olha e você finalmente para, e a olha de volta?
Para proteger esse momento, o Desprocrastinador é feito de concreto com uma pesada porta de madeira, fechadura e dobradiças soldadas para que assim que a porta se fecha você precise esperar.
Porém se a urgência da tela for o suficiente pra você cogitar cerrar a dobradiça, arrombar a fechadura, ou quebrar a porta, o Desprocrastinador foi pensado com uma última ferramenta para cumprir sua função: o Preço.
O seu preço, mais do que uma representação do valor do trabalho empregado para traze-lo ao mundo, é uma parte essencial do seu funcionamento.
Junto de um certificado de autenticidade assinado por mim, o seu preço coloca o que seria um produto, que só tem valor de uso, na categoria de arte, que além do uso pode valer enquanto investimento, desde que seja conservada, mantida em sua forma.
Assim a barreira que você precisará atravessar para poder parar de olhar de volta a luz vermelha, passa a não ser mais a força da fechadura, mas sim qual a sua disposição de arruinar o preço que você gastou para finalmente sentir o atrito de olhar pra fora da tela.
Quão longe você iria para parar?